Carnaval

Faço fotos e palestras pela Canon Brasil desde 2012, mas a partir do ano passado sou um parceiro oficial deles, oferecendo workshops e desenvolvendo materiais de divulgação.
Uma das vantagens desta parceria é testar equipamentos que não tem muito espaço no meu trabalho cotidiano.

Aproveitando a brecha, saí durante o carnaval de São Paulo com a intenção de fazer retratos próximos com uma 35mm fixa, uma lente que não é exatamente recomendada para este tipo de assunto. Para minha sorte as pessoas não se importam com a proximidade da câmera durante o carnaval.

Devo dizer que os resultados foram interessantes.

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No carnaval ninguém tem nome, mas se você conhece alguém, me avise que eu coloco aqui. 😉

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Esta distância focal tem uma peculiaridade em full-frames: ela não é grande-angular, mas também não chega a ser uma normal. Isso significa que uma 35mm bem luminosa permite o melhor dos dois mundos: você consegue desde desfoques fortes até profundidades de campo mais extensas, com bastante perspectiva. Com uma 24mm você tem dificuldades para desfocar o fundo. Com uma 50mm você tem dificuldades para conseguir que tudo esteja no foco, quando estiver perto do seu assunto. A 35mm fica bem no meio do caminho.

Eu testei a EF 35mm f/1.4 II, que é um primor. Mas até onde sei, todas as 35mm do mercado são excelentes.

Outras fotos com esta lente:

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Autoral x comercial

Algumas fotos não caem bem à primeira vista e precisam voltar à prancheta.

Talvez esta seja a diferença primordial entre o processo autoral e uma foto comercial. Clientes acompanham prazos, que acompanham pressas. Ainda que a qualidade seja fundamental, ela é segunda ao tempo. Se a revista fecha no dia seguinte, ninguém vai esperar o fotógrafo encontrar a combinação perfeita de luz e composição escondida em sua cabeça. Se ele conseguiu um resultado satisfatório no prazo estipulado, volta a ser chamado. Caso contrário, dá a vez ao próximo.

O mesmo não ocorre com o trabalho autoral. Você dispõe de todo tempo do mundo para chegar ao resultado que quer, não aquele que apenas aceita. As únicas barreiras são a própria capacidade, a ansiedade e, eventualmente, err….. a morte (kafka e mozart quem o digam).

A verba de trabalhos comerciais pode oferecer produções maiores e acesso a profissionais melhores, mas somente o trabalho autoral permite que se exercite a fundo o olhar, o senso crítico e a paciência.

A foto abaixo é o primeiro esboço de uma ideia. Ela faz parte da minha série Paper Books, em que personagens e histórias saem do livro, sem perder a identidade de papel. Neste caso, “A insustentável leveza do ser”, de Milan Kundera.

Insustentável leveza

A foto em alta impressiona um pouco pela nitidez. Mas não mais do que isso. O resultado não passava a sobriedade e o silêncio que gostaria. A luz é óbvia, com “cara de estúdio”, as sombras muito claras, o fundo vazio e o pote de tinta sem graça. Ainda assim, o conceito da pena com o texto original em checo é uma ideia que não poderia ser perdida.

Então, mais de um ano depois, fiz esta alternativa e fiquei feliz:

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Neste caso, menos foi mais. A pena é forte o suficiente sem outros objetos. A textura fez uma moldura interessante e as sombras ajudaram a moldar o formato da pena.

Pode até ser que no futuro passe a enxergar com melhores olhos a primeira foto. Duvido um pouco que deixe de gostar da segunda.

Como a pena foi feita? Ilustrator, Silhouette, pinça e mãos habilidosas.

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Fundos coloridos

Há tempos não faço fundos coloridos em degradê. Cansei deles há alguns anos e só faria novamente por alguma demanda muito específica.
Mas às vezes encontro uma foto antiga que a saturação exagerada ajudou na mensagem.

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Fiz esta foto para revista da Tam. Não me lembro bem da pauta, mas gosto da ironia da mensagem, que combina com a saturação meio brega. De qualquer maneira, faria bem diferente hoje, com certeza.

Fico pensando como será a volatilidade das pessoas que tem 30, 40 ou até 50 anos de carreira. O que acham das primeiras fotos? Como lidam com erros primários que não podem apagar do corpo de trabalho? Com carinho ou resignação?

Fotógrafos são famosos por viverem muito e nunca pararem de trabalhar. Há vários por aí e espero um dia ser um deles.

Sobre curiosidade

Cheguei em Ribeirão Preto para a palestra da Canon no começo da tarde. Quando fui almoçar o Ribeirão Shopping estava vazio. Coloquei o fone de ouvido, comecei a ler meu livro e percebi o garçom me olhando de soslaio algumas vezes. No final do almoço, obrigando-me a tirar os fones, me perguntou o que estava lendo. Dois minutos depois perguntou qual era a minha profissão.

Ele me incomodou? Não. Mesmo tendo quebrado a minha concentração.

Eu acho estranho como a curiosidade perturba as pessoas. Você não fica instigado quando vê alguém concentrado em um livro no ônibus ou metrô? Eu fico. E agradeço à minha altura por conseguir ler algumas frases por cima da maioria dos ombros.

A curiosidade é o combustível do conhecimento, sem ela não haveria arte nem ciência. Mas até no dicionário seus primeiros sinônimos são “bisbilhotice, abelhudice, intromissão, indiscrição, inconveniência”.

Dados os óbvios limites, sinto que temos como sociedade um compromisso com a curiosidade alheia. Especialmente dos jovens.

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Foto: Paper Hamlet. Das minhas fotos de personagens de papel, a primeira e talvez a favorita.

Impressora

Foto para campanha das impressoras canon.

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O Clicio uma vez disse que gostava de fazer stills porque lhe parecia uma atividade zen. Não é sempre assim comigo, mas este trabalho foi uma boa exceção. O pessoal da agência acompanhou e foi tudo muito mais tranquilo do que geralmente é. Provavelmente porque a produção estava redondinha. Ou então porque foi para uma empresa japonesa através de uma agência japonesa.

Foto: Flávio Demarchi
Assistência: Aline Ioavasso
Agência: Dentsu Brasil
Produção: Claudia Campos

Sobre impressoras com bulk-ink, eu tenho uma bem parecida com esta da foto e hoje não vejo como o mundo sobreviveu tanto tempo comprando cartuchinhos.

Edit: mais uma da mesma diária.

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