A internet não esquece

Às vezes você faz uma foto durante um período conturbado e acaba esquecendo de pedir para o cliente mandar a revista ou o pdf. Tomei um susto esses dias ao encontrar umas fotos que fiz para a revista DASA (do grupo Delboni Auriemo) em 2014.

Como não há mais ninguém que eu conheça na editora, nem fui eu que tratei as imagens, se não fosse a internet não teria visto como ficou.

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Fotografia e ansiedade – parte 2

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No último post listei alguns fatos que, na minha opinião, tornam a fotografia um imã para instabilidades mentais. Se me permitem, vou oferecer algumas dicas que podem ajudar um fotógrafo a não cair nestas armadilhas. Entendam este post como um alerta aos iniciantes, assim como um lembrete para mim mesmo, já que nunca estamos completamente livres deste mal.

Estou partindo do princípio que a sua ansiedade tem origens nas dificuldades da carreira fotográfica. A lógica é simples: ao deixar a sua carreira mais previsível e fluente de trabalhos, a ansiedade vai diminuir. Nada disso vai ajudar se a causa do transtorno é química ou tem outros motivos. Por isso começo com o mais importante:

  • Se você já sofre de ansiedade, procure um psiquiatra. Não menospreze o conhecimento de um especialista tentando escapar deste mal sozinho. Você confiaria em seu médico para fazer as fotos do seu casamento ou da sua empresa? Então não confie no blog de um fotógrafo para te dizer como sair da ansiedade: procure ajuda. Preconceitos com a saúde mental pertencem ao século XIX, não a 2019.

 

  • Tenha muita paciência no começo de carreira, fotografia só é fácil na aparência. Manter-se fotógrafo com o passar das décadas é uma tarefa árdua. Os primeiros anos apresentam muitas dificuldades e servem como um filtro cruel, retendo talentos incríveis pelos motivos mais vulgares. Não tenha tanta pressa em largar um emprego fixo, espere até conhecer melhor o mercado e sua sazonalidade. Se possível, seja assistente de um fotógrafo experiente que você admire.

 

  • Busque de maneira gradual e constante uma maior formalização do seu trabalho: tenha um cnpj, endereço, pague o inss, busque profissionais de contabilidade, assistentes fixos e, se possível, uma equipe de vendas.

 

  • Tenha metas bem definidas e realistas. Expectativas sob controle, ansiedade sob controle.

 

  • Aja como um profissional atendendo seu cliente como gostaria de ser atendido. O tempo dos fotógrafos artistas intocáveis acabou, pé-no-chão, por favor. Entregue as fotos no prazo, responda emails rapidamente, não deixe mensagens sem ler no whatsapp, proporcione uma boa experiência para seu cliente, faça análises constantes de seu mercado, vista-se de acordo à ocasião, entre outros. Quanto mais profissional você parecer, mais irá se sentir. Com o tempo, a confiança artificial se naturaliza.

 

  • Aprenda a lidar com a volatilidade do mercado: não contraia grandes dívidas quando o mercado está aquecido, nem se desespere nas baixas.

 

  • Controle seus custos! Em tempos bicudos controlar os gastos é tão ou mais importante que correr atrás de trabalhos. Tome um cuidado especial com a compra de equipamentos: adquira o mínimo necessário para atender bem seu cliente, não o equipamento que você quer ter. Quando necessário, alugue. Isso também vale para estúdios fotográficos.

 

  • Não entre em guerra de preços com seus concorrentes: fotografia não é sabão em pó! Além da pressão insuportável que essa estratégia traz, os melhores preços tendem a atrair os piores clientes. E quem gosta de ser mal pago para lidar com gente chata? Isso não significa que você deva atender somente às classes mais altas da sociedade; até quem possui verbas limitadas sabe que não se consegue o melhor serviço pelo menor valor. Cobre um preço justo dentro do intervalo que seu cliente está disposto a pagar.

 

  • Busque a crítica adequada: não adianta perguntar a opinião da sua mãe, ela não é (e nem deveriam ser) imparcial. Do mesmo modo, não busque a opinião de qualquer um em fóruns de fotografia, onde o parecer crítico é mais valorizado que a opinião sincera. Os extremos não funcionam. Tente encontrar pessoas que se importem com sua evolução e tenham conhecimento da nossa área, como um amigo ou um professor. Saiba, acima de tudo, quem é seu cliente e quais são suas preferências. De um jeito ou de outro, saiba que você não é o melhor fotógrafo do mundo.

 

  • Pelo caráter relativo da arte, saiba que um mau-fotógrafo/bom-vendedor tem mais futuro que um bom-fotógrafo/mau-vendedor. Procure saber mais sobre como vender seu peixe. Não caia na armadilha “a minha arte vai falar por si”.

 

  • Ao contrário do que você aprendeu na sessão da tarde, diminua as decisões instintivas, substituindo-as pela coleta e análise de dados. Em caso de acerto, você contou com os próprios méritos, não com a sorte. Em caso de erro, terá critérios para avaliar o problema. Sei que é quase impossível termos acesso a todos os dados necessários para uma decisão 100% racional, mas o mantra “trust your feelings” não é a melhor estratégia para se conduzir um negócio. Deixe-o para quando precisar destruir uma estrela da morte com sérios problemas de projeto.

 

  • Não se engane em relação às redes sociais. Para muitos o instagram é uma ferramenta fundamental para encontrar clientes. Mas o tempo que você gasta vendo fotos de viagens na indonésia ou stalkeando o ex não é exatamente tempo produtivo de trabalho, é? Perda de tempo em redes sociais traz dois enormes problemas: inveja e procrastinação. E o pior é que estamos todos à mercê. O meu mal são os canais de ciências e basquete do youtube. Qual é o seu?

 

  • Conecte-se com mais pessoas, de parceiros de trabalho a clientes e até concorrentes. Ter mais informações sobre o mercado em que atua é fundamental, e nada como uma mesa de bar para se colocar a par do que anda acontecendo. Em relação aos concorrentes, saiba que nem todo capitalismo é predatório; doar é também receber.

 

  • Saboreie as vantagens dos horários flexíveis: vá para praia em uma quarta-feira, brinque com seu filho em horário comercial, vá ao cinema e seja o único na sala. Se não tomar cuidado, seu trabalho flexível se tornará o mais inflexível de todos.

 

  • Mantenha-se ativo nos intervalos de trabalhos. A fotografia autoral é um combustível limpo para o ânimo.

 

  • Nunca, JAMAIS pare de estudar. Você pode complementar informações com vídeo-aulas, mas tente fazer pelo menos um curso presencial por ano. Além do conteúdo, você pode conhecer mais pessoas na mesma situação que a sua, expandir a rede de contatos, conhecer possíveis parceiros, sócios e até clientes! Acredito também que a autodidática é um conceito superestimado que leva a caminhos tortuosos e tempos de aprendizagem dilatados. Nada como um bom professor para colocar o aluno no rumo certo e inflar sua moral.

 

E aqui, com este final que mais parece merchandising para workshops, eu finalizo por ora com o que aprendi nos últimos anos lidando com a sombra da ansiedade. Termino com uma frase de um livro interessante, transformado em um filme hollywoodiano medíocre, que descreve bem a atitude ideal em um mundo em constante evolução: “Movimento é vida”.

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Você passou por isso e tem mais dicas? Escreva nos comentários ou me envie um email!

Fotografia e ansiedade – parte 1

Muita gente entende a fotografia still como uma arte fria, desumana. Eu, claramente, discordo.

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Fiz esta foto aparentemente simples em 2012, um ano depois de ter sofrido um ataque de ansiedade. Para mim, ela exprime a dor sem motivo aparente, prestes a estourar, que esta doença traz.
Não vou descrever todos os sintomas que tive, mas garanto que foram horríveis e que demorei alguns anos para me recuperar. Hoje, graças à minha família e ajuda profissional, a minha ansiedade está sob controle.

Acontece que não estou aqui para falar sobre mim, mas sobre como a profissão de fotógrafo nos expõe a certos riscos. Este é um tema mais apropriado para profissionais de saúde, mas acredito que posso dar alguns pitacos no que se refere ao nosso dia-a-dia, uma vez que fui vítima, além de ter reconhecido os mesmos sintomas em dezenas de outras pessoas para quem dei aula no decorrer dos anos. Ainda assim quero deixar claro, se você já sofre de ansiedade, procure um psiquiatra. Não brinque com sua saúde mental, nem tente resolver tudo sozinho.

Não posso afirmar com o rigor científico que não possuo, mas desconfio seriamente que fotógrafos são muito suscetíveis à ataques de ansiedade e outros transtornos psíquicos.

Neste primeiro post vou elencar algumas possíveis causas. No próximo, falarei sobre como mitigar os riscos.

Não me entendam mal, não quero dissuadir ninguém de tentar essa profissão, muito pelo contrário, eu ofereço video-aulas e workshops porque tenho certeza que a fotografia possui vantagens substanciais em relação a diversas outras carreiras, além de promover satisfações artísticas profundas. Mas não posso evitar de pensar nos conhecidos que perderam tempo e talento perseguindo um sonho sem saber o preço que ele cobra. Entendam este texto como alerta, não como um sermão.

  • Informalidade: com raras exceções, a fotografia é uma área de autônomos, lotada de amadores e profissionais trabalhando feito baratas-tontas sem planos de futuro (até porque, para nós, viver da nossa paixão é a finalidade em si). Isso faz da fotografia uma profissão onde a precarização do trabalho reina absoluta. Ainda que há vagas fixas, estas estão majoritariamente dentro de empresas de e-commerce e eventos, onde os salários são relativamente baixos e apelam mais aos iniciantes. Para que tenham uma ideia, é comum que um único trabalho como freelancer pague mais do que um mês inteiro de um fotógrafo CLT, afastando os mais experientes destes trabalhos formais. O problema é que nem todos estão prontos para as imprevisibilidades da carreira autônoma, tanto financeiramente quanto emocionalmente. Na verdade, não conheço ninguém que tenha nascido pronto para isso.
  • Imprevisibilidade: um fotógrafo é um prestador de serviço como outro qualquer. Alguns de nós, especialmente aqueles que trabalham em publicidade, somos os prestadores de serviços dos prestadores de serviços, o que nos torna duplamente expostos às crises. Ainda que a fotografia seja fundamental, sempre haverá alternativas mais baratas que a contratação de um bom fotógrafo, mas nunca melhores. Assim, o fator cíclico e imprevisível do mercado afeta a todos, independente do nível profissional. A diferença é como nos preparamos para estes momentos de baixa.
  • Solidão: temos diversos parceiros, como assistentes, produtores, maquiadores, e, algumas vezes, até sócios, mas não há estúdio fotográfico com a mesma efervescência de uma empresa com dezenas de funcionários. Até mesmo retratistas (especialistas dos encontros rápidos) enfrentam mais horas olhando para emails que para os olhos de outras pessoas. Para os misantropos, esta descrição pode soar como um oásis, mas a experiência me diz que a falta de contato (e tato) cobra seu preço com o passar do tempo. Além de não ter ninguém a seu lado para compartilhar angústias, você também perde uma inestimável fonte de crítica.
  • Profissionais multi-tarefa: fotografar, cobrar cliente, direcionar a produção, montar orçamentos, escolher e cobrar terceiros, passar notas fiscais, pagar impostos, pintar fundo de estúdio, mandar equipamento para o conserto, responder emails, atualizar redes sociais, pesquisar mercado, visitar clientes potenciais, comprar cartões de memória novos, tratar fotos, etc, etc etc. Saiba que no começo você vai fazer tudo, mesmo aquelas atividades que você não gosta. O fator de ansiedade ocorre quando você não está em dia com as obrigações, elas vão se acumulando e formam uma lista sem fim. Você vai dormir sabendo que no dia seguinte não vai dar conta do que precisa fazer.
  • Comparação: existem talvez milhões de fotógrafos no mundo, alguns milhares de profissionais excelentes, e com certeza alguns muitos que são melhores que eu e você. Conhecer um fotógrafo novo, com um portfólio fresco e robusto, pode ser um exercício brutal para o ego. Some isso à solidão e você pode se tornar um fotógrafo em frangalhos.
  • A arte é relativa: taí algo difícil de se acostumar para alguém que vem de uma área científica do conhecimento. A mesma foto pode ser considerada horrível ou maravilhosa, dependendo das condições. E elas podem ser muitas, varia de pessoa para pessoa, de dia para dia, de finalidade para finalidade, de cliente para cliente, de fotógrafo para fotógrafo (esta é cruel, quando a mesma foto é analisada de maneira diferente, dependendo de quem tirou a foto), entre tantas outras. Acostumar-se com essa característica leva tempo e às vezes nunca chega. No setor da moda, por exemplo, essa volatilidade é extrema! Um mesmo fotógrafo pode ser o queridinho das marcas em um verão e no inverno subsequente já caiu em desuso.

No próximo post vou me dar o direito de oferecer algumas dicas que acredito úteis para quem quer se aventurar na fotografia sem ansiedade.

Pinturas do brasil

Não sou desenhista, mas gosto de rabiscar.

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Fiz este desenho mês passado e fiquei pensando como seria interessante conhecer artistas que fazem pinturas a óleo de cenários brasileiros, algo como um Almeida Júnior contemporâneo. Fiz uma nota mental para perguntar para os amigos doutores em arte, mas acabei esquecendo.

Eis que hoje encontro esta matéria da Nexo sobre um pintor chamado Rodrigo Yudi Honda.

Não vou reproduzir seus quadros sem autorização, então sugiro que entrem no site dele e admirem a realidade urbana com a textura do óleo sobre tela.

Workshop 2019

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Amigos, workshop em São Paulo marcado para janeiro de 2019!

Workshop em São Paulo

19 e 20 de janeiro de 2019

Fotografia still publicitária e editorial

– Básico de estúdio (uso de flash, fotômetro de mão, acessórios de modificação, teste em modelo): 2,5 horas
– Teoria fotos de produtos: 2,5 horas
– Demonstração do método: 1,5 horas
– Prática: os alunos se dividem em grupos para fotografar diferentes tipos de produtos, em fundo branco e em composição com supervisão do professor – tempo restante.
– Dúvidas e dicas de valores e mercado – meia hora final.

O objetivo do curso é preparar o aluno a fotografar diversos tipos de produto, independente de esquemas pré-fabricados.

Pré-requisitos: conhecimentos básicos de fotografia (ISO, diafragma, obturador e balanço de branco). Para melhor aproveitamento do curso sugiro uma câmera DSLR ou Mirrorless, ainda que é possível acompanhar o curso sem o equipamento.

Local: Estúdio Sampa, na zona oeste de São Paulo.

Valor promocional de início de ano: R$690,00

Forma de pagamento: depósito em conta ou cartão de crédito (paypal). Parcelamento em 3x sem juros ou 5% de desconto à vista.

Benefícios: quem participar ganha 20% de desconto na loja online da Canon! (com exceção para produtos já em promoção)

Para inscrições ou mais informações sobre workshops em São Paulo ou outras cidades
escreva para info@flaviodemarchi.com.br

Paper books

Comecei esta série, sem pensar que seria uma série, há 11 anos atrás.
Com o blog tenho um espaço mais confortável para publicar várias fotos juntas, como sempre quis.

Com relatos recentes de livros sendo proibidos em escolas particulares e projetos assombrosos para controlar o acesso ao pensamento crítico em escolar públicas, acho que são imagens que ficam mais pertinentes com o passar do tempo.

Começo com a última foto:

_K0A9413-Editar2.jpgO homem que calculava – Malba Tahan (Julio César de Mello Souza)

1760918250_28a708a6c2_o.jpgHamlet – Shakespeare (a primeira foto da série)

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Don Quijote de la Mancha – Cervantes

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Alice através do espelho – Lewis Carroll

20160531115530A história sem fim – Michael Ende
34334138590_015c125822_bA insustentável leveza do ser – Milan Kundera
18877314969_28ce9e64cd_b
O poderoso chefão – Mario Puzo
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O pequeno príncipe – Antoine de Saint-Exupéry
5432157721_8a124c6b85_b
Peter Pan – James Barrie

4972519732_23e6e09184_bMoby Dick – Herman Melville